Há chances de nova tragédia na serra dentro de 3 meses, diz Crea-RJ


Conselho diz que problemas nas regiões de risco não foram solucionados.
Relatório sugere ações emergenciais para evitar nova tragédia na Serra.



A Região Serrana, onde mais 900 pessoas morreram após as chuvas de janeiro, pode ter uma nova tragédia dentro de 2 a 3 meses, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira (5) pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ).
O presidente do Crea, Agostinho Guerreiro, afirmou que as cidades atingidas receberam um documento logo após a catástrofe, com o diagnóstico e as indicações de obras a serem realizadas. Seis meses depois, as prefeituras, segundo ele, ainda não resolveram os problemas registrados.
"Além de os problemas não estarem resolvidos, o período de seca está terminando. Resolvemos fazer um alerta porque há chances de uma nova tragédia dentro de 2 a 3 meses naquela região", disse.
Equipes do Crea fizeram novas inspeções na serra na quarta-feira (3). Para o conselho, caso ocorram novas chuvas intensas na região - o que pode acontecer a partir de outubro, segundo o texto - as áreas atingidas poderão sofrer uma tragédia ainda maior, já que os solos se encontram mais frágeis do que antes, após sofrerem deslizamentos de encostas e perderem a cobertura florestal.
Ações emergenciais
O novo documento apresentado nesta sexta sugere três ações emergenciais, a serem realizadas nos próximos dois meses. A primeira providência a ser tomada, para o Crea, é a implantação de sirenes (ou dispositivo similar). Uma outra medida é que seja pedido ao INPE e a outros órgãos que monitoram as condições meteorologias um sistema de aviso prévio para todas as prefeituras, para que se possa obter o aviso sobre a chegada de chuvas fortes. Por último, o Crea sugere que sejam criados abrigos nas áreas de risco.
"São medidas de curtíssimo prazo, para as chuvas que vão cair agora", disse o presidente do Crea-RJ.
O conselho classificou, no relatório, como "tragédia anunciada" a atual situação da Região Serrana. Os municipios de Nova Friburgo e Teresópolis seriam os mais problemáticos.
Para Agostinho Guerreiro, a ocupação desordenada do solo foi uma das principais causas dos deslizamentos e das enchentes. "Houve uma incapacidade da natureza de dar sustentação com aquela quantidade de água que caiu", afirmou.

"Hoje temos pessoas habitando próximo ao leito do rio. As pessoas voltaram para as áreas de risco. Hoje a quantidade de gente morando em áreas que poderão ter enchentes é muito grande. São milhares. (...) Se tivermos uma chuva naquela intensidade num período grande a gente pode ter um número de mortes muito grande", ressaltou.
Carolina LaurianoDo G1 RJ

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