A expressão "imanentização do eschaton" se refere à tentativa de trazer o juízo final ou a realização do reino de Deus para o presente, em vez de esperar por esses eventos em um contexto transcendente ou após a morte. Esse conceito foi popularizado pelo filósofo Eric Voegelin em sua obra A Nova Ciência da Política, onde ele critica as ideologias modernas que buscam antecipar o que ele considera um estado final da história, ou "eschaton", no mundo material.
Por: Ricardo Camillo
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Eric Voegelin |
Definição e Contexto
Voegelin argumenta que a imanentização do eschaton é uma falácia teórica, pois implica que uma realização divina pode ser alcançada através de ações humanas e políticas. Ele associa essa ideia ao gnosticismo, que, segundo ele, reemergiu em movimentos políticos do século XX, como o nazismo e o comunismo. A crítica de Voegelin é que essas ideologias tentam criar um "reino terrestre" onde os justos são recompensados e os injustos punidos, desconsiderando a natureza do transcendente e a complexidade da história.
Implicações Teológicas e Políticas
A imanentização do eschaton tem implicações tanto na teologia quanto na política. Teologicamente, sugere uma crença de que o fim dos tempos pode ser realizado na Terra, semelhante a algumas correntes do pós-milenismo. Politicamente, a frase se tornou um slogan, especialmente entre conservadores, alertando contra a tentativa de criar um paraíso na Terra através de reformas sociais ou políticas que ignoram a realidade da condição humana e a necessidade de um elemento transcendente.
Voegelin e outros críticos argumentam que essa abordagem pode levar a ideologias totalitárias, pois busca um controle absoluto sobre a história e a sociedade, ignorando as contingências e a liberdade humana. A busca por um ideal de justiça ou perfeição na Terra, segundo essa visão, pode resultar em consequências devastadoras, pois ignora a complexidade e a imperfeição da vida humana.
Voegelin argumenta que a imanentização do eschaton é uma falácia teórica, pois implica que uma realização divina pode ser alcançada através de ações humanas e políticas. Ele associa essa ideia ao gnosticismo, que, segundo ele, reemergiu em movimentos políticos do século XX, como o nazismo e o comunismo. A crítica de Voegelin é que essas ideologias tentam criar um "reino terrestre" onde os justos são recompensados e os injustos punidos, desconsiderando a natureza do transcendente e a complexidade da história.
Implicações Teológicas e Políticas
A imanentização do eschaton tem implicações tanto na teologia quanto na política. Teologicamente, sugere uma crença de que o fim dos tempos pode ser realizado na Terra, semelhante a algumas correntes do pós-milenismo. Politicamente, a frase se tornou um slogan, especialmente entre conservadores, alertando contra a tentativa de criar um paraíso na Terra através de reformas sociais ou políticas que ignoram a realidade da condição humana e a necessidade de um elemento transcendente.
Voegelin e outros críticos argumentam que essa abordagem pode levar a ideologias totalitárias, pois busca um controle absoluto sobre a história e a sociedade, ignorando as contingências e a liberdade humana. A busca por um ideal de justiça ou perfeição na Terra, segundo essa visão, pode resultar em consequências devastadoras, pois ignora a complexidade e a imperfeição da vida humana.
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No contexto judaico, o movimento Chabad-Lubavitch, uma ramificação do judaísmo hassídico, tem uma visão interessante que pode ser relacionada ao conceito de imanentização do eschaton. Fundado no século XVIII pelo Rabino Schneur Zalman de Liadi, o Chabad-Lubavitch enfatiza a importância de trazer a presença divina (Shekhinah) para o mundo material através de ações humanas, como o cumprimento de mitzvot (mandamentos) e a disseminação de valores espirituais.
O sétimo e último Rebe do Chabad, Menachem Mendel Schneerson, desempenhou um papel central na promoção da ideia de que a era messiânica pode e deve ser antecipada através de esforços humanos. Schneerson acreditava que a vinda do Messias (Mashiach) não era apenas um evento futuro, mas algo que poderia ser acelerado por meio de ações concretas no presente. Essa visão pode ser interpretada como uma forma de imanentização do eschaton, pois busca trazer o reino divino para o mundo material através de práticas espirituais e éticas.
No entanto, ao contrário das críticas de Voegelin, o Chabad-Lubavitch não busca um controle totalitário ou a criação de um "paraíso terrestre" através de meios políticos. Em vez disso, enfatiza a transformação interior e a elevação espiritual como caminhos para a redenção. Essa abordagem mantém um equilíbrio entre o transcendente e o imanente, reconhecendo a importância do divino enquanto incentiva a ação humana.
Outras Perspectivas e Adendos
Além do Chabad-Lubavitch, outras tradições religiosas e filosóficas também abordam a ideia de imanentização do eschaton. No cristianismo, por exemplo, o pós-milenismo acredita que a segunda vinda de Cristo ocorrerá após um período de paz e justiça na Terra, que seria alcançado através da ação humana e da propagação do Evangelho. Essa visão contrasta com o pré-milenismo, que espera um retorno iminente de Cristo antes de qualquer era de paz.
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No Islã, algumas correntes do xiismo acreditam na vinda do Mahdi, uma figura messiânica que trará justiça e paz ao mundo. Essa crença também pode ser vista como uma forma de imanentização do eschaton, pois envolve a expectativa de um evento divino que transformará o mundo material.
Conclusão
A imanentização do eschaton, portanto, é uma crítica à ideia de que a história pode ser moldada para alcançar um estado final de perfeição por meio de esforços humanos. Essa crítica é relevante tanto no campo da filosofia política quanto na teologia, levantando questões sobre a natureza do tempo, da história e do papel do divino na vida humana.
No entanto, como vimos no caso do Chabad-Lubavitch e outras tradições religiosas, a busca por uma realização divina no mundo material não precisa necessariamente levar a ideologias totalitárias. Quando equilibrada com uma compreensão da transcendência e da complexidade humana, a imanentização do eschaton pode ser vista como um chamado à ação ética e espiritual, em vez de uma busca por controle absoluto.
No entanto, como vimos no caso do Chabad-Lubavitch e outras tradições religiosas, a busca por uma realização divina no mundo material não precisa necessariamente levar a ideologias totalitárias. Quando equilibrada com uma compreensão da transcendência e da complexidade humana, a imanentização do eschaton pode ser vista como um chamado à ação ética e espiritual, em vez de uma busca por controle absoluto.