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“Wikileaks é uma operação da CIA para acabar com a Internet”

Recebemos e-mail do nosso correspondente Fernando Yépez Rivas, jornalista equatoriano, com mensagem indicando a leitura de matéria intitulada “WikiLeaks es una operación de la CIA para terminar con Internet”, uma entrevista com Daniel Estulin, escritor e ex-agente da KGB, para o jornal colombiano El Heraldo.
O ex-KGB denuncia complô formado pela agência de espionagem norte-americana com grupos de iniciativa privada e outras organizações estatais.

Os objetivos dessa trama secreta você pode conferir lendo a entrevista publicada originalmente em espanhol, basta clicar no título que fornecemos abaixo, ou ler o nosso translado, feito com a ajuda de tradutor online, mas adaptado, em diversos trechos, de acordo com as nossas próprias aptidões para lidar com o nosso vernáculo e com suas variantes em situações coloquiais.

Daniel Estulin: “Wikileaks é uma operação da CIA para acabar com a Internet”


O escritor russo e ex-agente da KGB Daniel Estulin denuncia em entrevista para jornal colombiano que WikiLeaks é um instrumento da CIA para justificar o encerramento definitivo da internet alegando o perigo da informação livre.

Mais uma vez Daniel Estulin investe contra WikiLeaks. Em declarações feitas durante entrevista ao jornal colombiano El Heraldo, o ex-agente da KGB é muito claro ao fazer ver que a famosa organização, supostamente formada por rebeldes dedicados a filtrar arquivos confidenciais que envolvem governos e corporações, é apenas uma ferramenta para a CIA, eventualmente, justificar o encerramento da Internet ou o seu controle completo por parte das autoridades.

Estulin saltou para a fama há mais de um ano, logo após a publicação de uma investigação minuciosa sobre o Grupo Bilderberg, um grupo de elite de industriais e políticos, principalmente ocidentais, que, de acordo com algumas pessoas, se encarrega de traçar, à sombra da opinião pública, as estratégias geopolíticas e financeiras que determinam o curso do planeta. Seu livro, Clube Bilderberg já vendeu mais de cinco milhões de cópias em 81 países e foi elogiado por, entre outros personagens, Fidel Castro.


Agora Estulin está promovendo seu livro Desconstruindo WikiLeaks, que expõe uma investigação pelo ex-KGB comprobatória de que esta organização é uma peça popular na agenda da CIA. "Eu sabia que era operação da CIA, porque os caras que estão envolvidos dentro do conselho do Wikileaks, e as empresas que o fianciam, são algumas pessoas com fortes laços com a CIA norte-americana", diz o autor, e acrescenta: "O Wikileaks não vai ser o argumento. É uma ferramenta que segue muitos objetivos de uma só vez. Um deles é fechar [para o acesso popular] a Internet. Outra é fazer [as pessoas] compreender o mundo de forma diferente. Muitos documentos de Wikileaks são seguramente falsos. "

Há oito meses, publicamos no Surf Pijamas o artigo intitulado "WikiLeaks poderia ser uma operação encoberta da CIA", no qual explicamos os fortes rumores sobre a relação entre esta organização e a agência de inteligência dos EUA: "WikiLeaks está intimamente envolvido com uma operação de 20 milhões de dólares da CIA em que dissidentes chineses que vivem nos Unidos constantemente hackeam computadores do governo na China. Este grupo de hackers simulam ataques informáticos a redes do Exército dos Estados Unidos, supostamente proveniente da China, de modo que, em seguida, o governo dos EUA possa denunciar os ataques cibernéticos por parte do gigante asiático. Esta suposta ameaça justifica o aumento no orçamento de defesa e ofensiva dos EUA e semeia o medo de organizações públicas e empresas deste país que acabarão por se abrigarem sob o governo. Para reforçar a sua hipótese, Wayne Madsen observa que um membro do conselho de WikiLeaks, Ben Laurie, é um programador e especialista em cibersegurança que trabalha para a empresa Google, que recentemente assinou um acordo de cooperação com o conglomerado de agências de inteligência dos EUA, a Agência de Segurança Nacional (NSA). "

Estes laços obscuros atribuídos ao WikiLeaks, com respeito à sua relação com a CIA e o Mossad, se estendem ao grupo de hackers Anonymous, que, depois do bloqueio que a organização de Assange sofreu pelas instituições bancárias para impedi-la de de receber doações, saiu em defesa do WikiLeaks.

Obviamente, o cenário é mais do que confuso, inclusive o próprio Estulin poderia ser, voluntária ou involuntariamente, parte do complexo xadrez que se têm gerado em torno da administração do poder. Certa ocasião denunciamos que o "excesso" de informação pode ser a ferramenta mais precisa para desinformar o público. E diante da impossíbilidade de se obter certezas absolutas, parece que o mais saudável é, por um lado, voltar-se para o conhecimento intuitivo e depositar na intuição um maior peso de nossas crenças e, por outro, tentar romper os esquemas tradicionais em que necessitamos criar heróis e vilões, e lembrar-se de que vivemos em um universo de possibilidades, e não de verdades (ou mentiras) absolutas.

A continuação da entrevista com Daniel Estulin, realizada por Ivan Bernal Marin para El Heraldo:

Que mensagem deixa Wikileaks?

Acima de tudo, de não acreditar [de imediato] em nada e ninguém. Verificar tudo, não aceitar gratuitamente nada como fato absolutamente verdadeiro, e pensar de forma independente. Tudo o que eu estou dizendo é uma mentira, até que você possa comprovar. Da mesma forma, quando sai uma notícia na CNN ou The New York Times, não entendo por que as pessoas dão por comprovada, achando que aquilo que estão lhes dizendo é verdade, se quase sempre estão mentindo descaradamente de propósito. Estes meios de comunicação não têm nenhuma intenção de dizer a verdade. Eles não trabalham para as pessoas, mas para os seus proprietários, que pagam seus salários e definem essa verdade, entre aspas, que sai. Tome as informações e procure compreendê-las a partir de sua própria perspectiva. Investigue, pesquise, pergunte. É importante sua maneira de ser independente, como um ser humano.

Se o que você diz é verdade, não põe em risco sua vida?

Os riscos que eu estou assumindo são riscos calculados. Há coisas que eu posso dizer mas que não estou dizendo, porque são muito assustadoras, horripilantes. Depois de Bilderberg era o momento de cavar mais fundo, para tocar um outro fundo, fazer as pessoas criticarem as coisas ainda mais. É a contribuição que eu estou dando. Eu não quero salvar o mundo. Elas são apenas coisas que me preocupam como um ser humano, e eu quero investigar. Eu não tenho nenhuma agenda escondida, nem sou “desinformador” do Clube de Bilderberg. Eu sou uma pessoa interessada por estes acontecimentos, e que quer compartilhar.

Como lhe ajudam os seus 12 anos de experiência como agente?

Minha experiência como agente me ajuda a entender como o mundo funciona, como as coisas funcionam. Ajuda a compreender o que se passa no noticiário da televisão sobre a guerra no Afeganistão, no Iraque, as guerras que são mentiras. Você vê uma batalha entre Talibã e não sei quem, e está a CNN envolvida. A pergunta que tenho é: como caralho esses grandes filhos da puta souberam que ali haveria uma briga? Porque Talibã provavelmente não lhes havia dito nada. É como a mídia manipula as percepções. Meu trabalho é simplesmente para tentar trazer essas coisas à luz. Coisas que, creio, tal como está o mundo, merecem que lutemos contra elas.

Qual é o seu objetivo?

Como eu disse a Fidel Castro, o nosso dever como seres humanos é garantir a sobrevivência das espécies, de modo que daqui a dois milhões de anos sejamos milhares de milhões de pessoas vivendo em todas as galáxias do universo. Para isso, o que temos que garantir primeiro é que sejamos livres, em todos os sentidos. Porque os ricos querem nos escravizar. Mas eu não quero ser um escravo de ninguém, tampouco quero prejudicar ninguém. Por isso, eu preciso que a massa social entenda o que está acontecendo. É o trabalho que eu estou desempenhando: jogar a luz da minha verdade, que não precisa ser verdadeira, mas é a minha verdade. Certamente estou equivocado em algumas coisas; porém, como analista de contraespionagem, sou capaz de articular contra um monte de dados e criar uma estrutura que pode explicar muitas coisas. Nem todas, mas ajuda as pessoas a entender muito melhor de que maneira nós fazemos parte dessa grande manipulação, essa lavagem cerebral promovida pelas potências mundiais.

Que coisas acontecem, por exemplo?

Todas as degenerações do mundo da arte, como fazem com o rock n 'roll, com o rap, são feitas sob encomenda em laboratório. O objetivo é destruir, apagar da face da terra a grandeza universal do ser humano. Transformá-lo em animal é o objetivo. Porque um ser humano indomável, ético, honrado, honesto e corajoso não pode ser governado. Porque assim nós nunca vamos nos ajoelhar diante de um rei. Apenas os escravos simplórios e os analfabetos subnormais permitem que um rei ou um presidente nos governe sem nosso consentimento.

O que você descobriu de Wikileaks?

O que me motiva a fazer o livro é um relatório que eu vi, faz um ano, do governo russo. Eu conheço Julian Assange como um personagem faz muitos anos. Ele era um rapaz jovem, que pertencia a um grupo de hackers na Alemanha chamado Chaos Computer Club. Muitos trabalharam para a KGB. O relatório de um analista dos serviços secretos russos falava sobre o procedimento para fechar a Internet. Falava que o governo dos EUA podia facilmente fechar a rede, usando um evento como o 11 de setembro ou Pearl Harbor. Os russos pensavam que seria um ataque mininuclear, um autoataque, auto-orquestado, contra um centro nuclear americano. Causar cerca de 400 mil mortos e culpar os hackers chineses, para ter a desculpa necessária para fechar a Internet. Quando eu vi isso, acreditei que era o momento de desmontar a operação Wikileaks. Ele sabia que era operação da CIA, porque os caras que estão envolvidos no Conselho, as empresas que Wikileaks financia, são algumas pessoas com fortes laços com a CIA americana.

Isso significa que eles vão usar para fechar a Internet?

Wikileaks não será o argumento. É uma ferramenta que segue muitos objetivos de uma só vez. Um deles é para fechar a Internet. Outra é fazer compreender o mundo de forma diferente. Muitos documentos Wikileaks são seguramente falsos. Por exemplo, do Afeganistão foram vazadas 200.000 páginas de documentos, porém são todos arquivos digitais. Não são documentos. Documento é algo que você pode tocar com a mão. São arquivos que são apenas passados na tela do seu computador, e isso não vale nada. Essas coisas são facilmente falsificáveis. Você não vê um pedaço de papel com o carimbo de um perito comprovando que ele é um documento original ou é uma falsificação. Nas 200.000 páginas de "documentos" do Afeganistão não há uma só palavra sobre o único negócio de valor nesse país até hoje, que é a droga. Como isso é possível? É como se falassem das FARC sem citar uma palavra da droga ou de sequestro. Algo está errado, não? 90% das informações do livro estão na Internet. Só que eu como um analista tomo as peças e lhes dou sentido. Por isso eles querem fechar a Internet. Por todo o alcance que a informação tem hoje. E isso é conhecimento de poder.

O que você disse aos que consideram suas investigações uma loucura?

Em junho passado eu fiz um discurso no Parlamento Europeu. Não é exatamente uma instituição psiquiátrica. Ali não entra nem o presidente da Colômbia. Fiz um discurso histórico sobre Bilderberg. Eu fiz um discurso para os chefes do Estado-Maior da Venezuela com Chávez. Tudo o que eu digo se liga entre si, é uma lógica. Outra coisa é se você acredita ou não. É problema seu. Porém, se você somar 2 mais 2 e não der 4, algo está errado.

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